A acolhida dos cristãos é a pastoral das pastorais
A acolhida dos cristãos é a pastoral das pastorais
O acolhimento pastoral será, de fato, a base sólida e imprescindível para uma catequese nos dias de hoje? Por que existem falhas na prática seja catequética como em outras funções na Igreja? Como se explica que a maioria das paróquias tenha como um dos seus principais objetivos promover um estilo de vida mais personalizado, mais humano e acolhedor e depois não o concretiza de forma sistemática e organizada? Será que muitas pessoas não se afastam da Igreja porque não se sentem acolhidas e não reconhecem as pessoas das comunidades como irmãos?
O acolhimento é uma etapa importante no processo da evangelização e da
catequese. O acolhimento tem como fundamento o mandato de Jesus (cf. Mt
28,19a). a mensagem cristã só frutificará se o terreno a que se destina for
verdadeiramente humano. As pessoas que procuram a comunidade eclesial não o
fazem apenas pela necessidade de pertencer a um grupo. Geralmente, buscam
respostas às suas interrogações, muitas vezes, dolorosas, como também, buscam a
presença de Deus, desejando encontrá-la nas pessoas que fazem parte da
comunidade cristã. As pessoas acolhedoras poderão dar respostas a esta sede de
Deus presente nas interrogações e na busca. Acolher é uma tarefa
conscientemente assumida e praticada for pessoas ou por equipes devidamente
preparadas, tanto de cristãos leigos como de sacerdotes.
O acolhimento é presente. A presença é feita de atenção total,
concentração na situação do acolhido.
Para melhor analisar o conceito de acolhimento, deve-se levar em conta a
compreensão da pessoa no que se refere às relações humanas. Nenhum ser humano
poderá crescer se não for ajudado e/ou assistido por outros, porque o
acolhimento é o melhor estímulo para uma qualidade de vida.
O acolhido deseja do acolhedor: atenção, discernimento e tranqüilidade. O acolhedor procura adaptar-se à situação do acolhido, mantendo com ele uma comunicação feita de atenção, concentração, seriedade e sinceridade. Acolhimento é um ato gratuito, é uma diaconia, é um serviço eclesial.
Por via apofática, poderíamos dizer que NÃO é acolhimento
— mera amabilidade: amabilidade isso é apenas um
sinal exterior necessário em qualquer tipo de atendimento.
— Paternalismo: é a tendência do acolhedor de
proteger o acolhido. Isto acontece quando o acolhido é fraco: criança,
adolescente ou profissional dependente. O paternalismo deve ser substituído
pela solidariedade.
— Solucionar
problemas: o papel do acolhedor não é sugerir e, muito menos, impor soluções
como se fosse as melhores; é estimular o acolhido para que ele use a própria
criatividade;
— Entrevista:
o acolhedor não deve assemelhar-se a um jornalista, fazendo mil perguntas para
conhecer a vida do acolhido, apenas para se mostrar interessado por ele;
— O distribuir sorrisos, gentilezas forçadas ou
boas maneiras: é importante ter atitude generosa com o outro, mas que isto
parta do coração simples e sincero.
— Atendimento comercial, marketing ou garoto
propaganda: o catequista e/ou agente de pastoral não acolhe para vender o seu
peixe, mas busca o diálogo sincero, como uma exigência para construir o Reino
de Deus;
— e
muito menos uma tarefa ou obrigação a cumprir: muitas vezes, o planejamento
comunitário pede aos catequistas ou outros agentes de pastoral ou movimentos
que exerçam a colhida. É importante que este ato seja um serviço gratuito e
espontâneo, papel de todos os cristãos, ministério específico na comunidade.
A pastoral da acolhida pode
ser considerada a pastoral das pastorais: todas as pastorais devem priorizar a
acolhida, valorizando a dignidade da pessoa humana. O dizem as Diretrizes da
Igreja no Brasil? “A pessoa merece ser
acolhida na comunidade, com abertura e sensibilidade para os diversos aspectos
e dimensões de sua identidade e existência”(n. 274) “Dê-se especial atenção a
aquém procura a Igreja por ocasião de um sacramento, apesar de serem católicos
pouco assíduos ou não praticantes” (n. 273).
No processo de acolhida
Quem chega deve se sentir: reconhecido como pessoa humana;
valorizado como indivíduo; digno de confiança, respeito e atenção; livre para
ser autêntico em suas opiniões e atitudes.
Quem acolhe deve se sentir: responsável pelo bem-estar de
quem chega; realizado como pessoa humana e cristã; acolhido e reconhecido como
membro da comunidade que representa.
Qualidade do acolhedor: as pessoas da equipe da colhida
devem ser autênticas e convictas de que Deus opera por meio delas, na
comunidade. São pessoas que sentem entusiasmo pela causa do Reino. Pessoas de
oração, cheias do espírito Santo. Pela oração, conhecem a vontade de Deus e se
comprometem com a Igreja local.
Jesus nos ensina a acolher: (cf. Rm 15,7)
Na época de Jesus, só as
pessoas consideradas ‘puras’ eram dignas de se aproximar de Deus. Eram as que
conseguiam cumprir todos os 613 mandamentos da religião judaica. Os pobres, os
pecadores, os doentes, os abandonados, as mulheres e as crianças eram considerados
impuros. Pensavam que não podiam se aproximar de Deus. Quem se aproximasse,
tocasse (cf. Mt 1,31.41; mortos: Mc 5,41; Lc 7,14) ou comesse (cf. Mt 11,19; Mc
2,15; Lc 15,2) junto com uma pessoa impura, ficava impuro (cf. Mc 2,16) e
sentia-se excluído do amor de Deus. As pessoas ‘puras’ tinham medo de misturar
com as pessoas ‘impuras’. Jesus rompe com esse modo de pensar para demonstrar
que o amor do Pai é justamente para com aqueles que são considerados ‘impuros’
(cf. Mc 6,42; Mc 14,20; 24,43). Os gestos de Jesus são significativos e belos.
Jesus ficou zangado com os discípulos porque eles queriam afastar as crianças
de sua presença (Mc 10,13-14). Para Jesus acolher é também buscar (Mt 18,12
(ovelha perdida); cura da sogra de Pedro (Mc 1,29-34); mulher samaritana (Jo
4,1-26); discípulos de Emaús (Lc 24,13-15)).
Lembretes para Acolher:
1.
Todas as pessoas adoram cortesia, entusiasmo, alegria e
amizade. Todas querem se sentir únicas e importantes. Nada substitui um contato
pessoal caloroso.
2.
Um bom dia, dito com alegria e a satisfação em servir,
vale mais do que todo plano de pastoral. O sorriso abre as portas do coração.
3.
Chamar a pessoa pelo nome. Este chamar soa nos ouvidos
das pessoas como uma bela música.
4.
o que importa não é somente a primeira impressão, mas a
segunda, a terceira, a quarta ...
5.
as pessoas satisfeitas com o acolhimento da comunidade
voluntariamente farão propaganda dela, serão nossos mais valorosos aliados e
retomarão sempre à comunidade.
6.
Vamos propor à nossa comunidade eclesial a prática do
acolhimento de toda atividade (pastoral e/ou movimentos).
7. por fim, ressaltemos que a meta do acolhimento é acolher!

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