GRATIDÃO
AO DIVINO POR TER-NOS CONCEDIDO MARIA, MÃE E PASTORA
Rawy Chagas Ramos
O Concílio
Vaticano II, em sua profunda sabedoria e espiritualidade, reconhece e exalta a
importância de Maria, a Mãe de Deus, no âmbito do ano litúrgico, conforme
expresso em suas palavras: "na celebração do ciclo anual dos mistérios de
Cristo, a Santa Igreja venera com especial afeição Maria Santíssima, Mãe de
Deus" (Sacrosanctum Concilium, n. 103). Esta declaração ressalta a
singularidade do ciclo anual dedicado a Cristo, dentro do qual a veneração de
Maria e de todos os santos se insere como um aspecto de singular importância.
Maria é objeto de particular veneração devido à sua conexão inseparável com a
obra salvífica de seu Filho, evidenciando, assim, sua posição única e
indissolúvel no mistério da salvação.
A relação de Maria com Jesus e, por extensão, a da Igreja com Ele, é de natureza intrínseca e fundamental. Nós, como membros desta Igreja, encontramo-nos, portanto, inseridos nessa relação dinâmica, na qual Maria desempenha um papel central. A inseparabilidade de Maria da obra salvadora de seu Filho, o Bom Pastor, não apenas simboliza, mas também concretiza a relação da Igreja com Cristo. O Concílio Vaticano II, ao refletir sobre essa dinâmica, observa: "Em Maria, a Igreja admira e se regozija no fruto mais sublime da redenção e nela vê, como em um espelho límpido, o que ela própria aspira e espera ser."
Essa contemplação da Mãe de Deus pela Igreja não se limita apenas à sua pessoa, mas se estende ao seu caminho e, crucialmente, ao seu destino final. Maria serve como a manifestação clara da vocação e do propósito últimos da Igreja.
No mistério da
Assunção, Maria é elevada à plenitude do humano divinizado, exemplificando no
mistério de sua maternidade divina e realeza, uma "personalidade
corporativa" que incorpora a responsabilidade de mãe e rainha do universo.
Esta figura simboliza toda a humanidade chamada à plenitude de seu destino
divino.
A significância de Maria transcende a esfera do divino, influenciando profundamente nossas reflexões sobre o povo de Deus, seu percurso e liderança, guiada pela mesma Palavra que inspirou Maria. Assim, Maria emerge como uma figura de atração universal, exercendo uma influência pastoral não apenas como imagem da Igreja que é pastoreada, mas também como aquela que, por sua vez, pastoreia. Sua figura pastoral é um emblema da vocação da Igreja a guiar e a ser guiada, um reflexo da missão divina de pastoreio que ela própria encarna e propaga.
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