Três Razões para Amar - Morton T. Kelsey
Três Razões para Amar
São Paulo, 26/6/2001 - 10:51
Morton T. Kelsey
Amar
é uma tarefa difícil e requer a abertura do mais profundo centro de nossa vida.
No entanto, amar é absolutamente essencial. Há três razões básicas para isto:
1ª Razão:
Sem amar,
nunca seremos, realmente, seres humanos completos. Fomos feitos para amar. Com
freqüência, os homens pensam ser o amor uma virtude feminina. No entanto, para
concretizar-se, o amor assume, ao mesmo tempo, o sentimento feminino e a força
masculina. Quem não consegue amar fica na superfície da vida. Pode cavar mil
poços, mas não alcança a água da vida.
De todas as
tragédias que vejo, a maior é a da pessoa que não tem coragem de estabelecer um
relacionamento humano verdadeiro. A pior forma de doença mental resulta de
alguém estar tão frustrado no seu impulso de amar que, se volta para dentro de
si mesmo, afastando, então, todo convívio humano.
Existe uma
criança no interior de cada um de nós que anseia por amar e comunicar sua vida
aos outros. Esta criança interior deseja dar de si, partilhar, transmitir calor
humano, conforto e proteção. Se não nos permitimos amar, não importando o
quanto doa, esta criança interior priva-se de vida; e permanecemos sombras do
que poderíamos ser.
2ª Razão:
Não somos os
únicos prejudicados quando não amamos. Ferimos a todos à nossa volta. Esta é a
segunda razão para amar: É somente na medida em que amamos, que podemos liberar
no outro, também, sua capacidade de amar. Na profundidade interior de cada um
de nós, encontram-se as duas poderosas alternativas: a destruição e a criação,
o ódio e o amor. Somente quando somos amados, encontramos coragem de expor
nosso lado luminoso, de permitir nosso amor emergir e, assim, controlar nossa
destrutividade.
Uma
autoridade no estudo do caráter de criminosos disse que há entre eles uma
característica comum: a de não terem sido amados na infância ou enquanto se
tornavam adultos; por isto, não tendo aprendido a expressar seu amor,
voltaram-se contra a sociedade com ódio e destrutividade, tornando-se
criminosos. O ódio é, apenas, a ausência do amor, e é causado na pessoa carente
de amor na infância e adolescência especialmente.
Se recusamos
amor, quando nossos filhos são "maus" ou procedem ao contrário do que
gostaríamos, eles aprenderão que só os amamos sob certas condições. Ensinamos
que amamos somente o que eles fazem, não o que eles são! A idéia básica de toda
psicoterapia é que a escuta compreensiva e o cuidado pela outra pessoa libera
no seu interior o amor e o poder que, por fim, irá curá-La. Os terapeutas não
curam; meramente proporcionam a condição na qual as pessoas possam ser elas
mesmas, e o poder curador e o amor possam emergir de seu interior e operar.
O inferno é,
simplesmente, o estado onde a pessoa está em total isolamento. E pode existir
tanto na terra como na eternidade.
3ª Razão:
Existe ainda
uma razão mais importante para amar. Sem amar nunca chegaremos a Deus e ao
mundo espiritual ao redor. O Amor é a entrada do mundo espiritual. "Se
alguém disser: Amo a Deus, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que
não ama a seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê. Temos
de Deus este mandamento: o que amar a Deus, ame também a seu irmão" (1Jo
4,20-21).
É impossível
conhecer e amar a Deus sem que, primeiramente, tenhamos tido a coragem de amar
algum ser humano. É, também, interessante notar que as palavras amor e Espírito
Santo sejam intercambiáveis no Novo Testamento. Onde está presente o Espírito Santo, está
presente o amor; quando está presente o amor, está presente o Espírito Santo.
Este é, simplesmente, outro modo de dizer o que João diz na sua carta. Quanto
do Espírito Santo do Deus vivo está em você? Há tanto de amor em seu coração
quanto você transmitir dele aos outros seres humanos.
Segundo
Platão, pelo amor somos elevados acima de nós mesmos e permitidos tocar e
provar o reino da eternidade. Não conseguimos encontrar o eterno pela nossa
razão ou pelos sentidos, mas sim, permitindo-nos amar o próximo.

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