A vivência do amor
Rawy Chagas
Ramos
A experiência do amor é multifacetada e complexa, envolvendo uma série de paradoxos e verdades profundas. Este sentimento, descrito como "forte como a morte", jamais passará, possui uma natureza atemporal e inabalável. Amar é cuidar de si, para doar-se aos outros. O amor verdadeiro não é apenas um sentimento, mas um estado de ser que envolve cuidado e altruísmo. Ao cuidarmos de nós mesmos, preparamos o terreno para doar amor aos outros, integrando assim o amor-próprio com o amor altruísta. Este processo de cuidado pessoal tem um impacto profundo no bem-estar coletivo, pois nos torna mais conscientes e atentos às necessidades do universo ao nosso redor.
Portanto, o amor é caracterizado por uma transparência e autenticidade que revela tanto a beleza quanto as sombras. Amar alguém significa aceitar todas as suas facetas, incluindo suas imperfeições e defeitos, que são essenciais para um processo de transformação mútua. Mostramos o lado belo e as sombras, pois no amor há confiança que torna possível a nudez. O amor permite que sejamos nós mesmos em toda a nossa plenitude, sem medo de julgamento ou rejeição. Nesse contexto, amar envolve também a aceitação das sombras do outro, transformando-as em algo positivo. Quando se ama alguém, ama-se também sua sombra, defeitos, para ajudá-lo na transformação. No amor, às vezes somos anjos, animais, crianças, adolescentes e deuses capazes de generosidade.
Não amamos no outro "pedaços escolhidos". Amamos a pessoa inteira, seus dons e limitações. Amar é poder estar inteiro com o outro, sem medo, sem vergonha, pois podemos ser tal como somos, não tememos ser julgados, não precisamos de véus, podemos confiar, não tememos a rejeição. Amar é assumir a sombra, os defeitos do outro para transformá-los. Na lama nascem flores. O que não é assumido não é sanado. Amar é aceitar o inaceitável, para ultrapassá-lo, pois amar é enfrentar o que não amamos.
Ademais, o amor nos convida a transcender o ego e a individualidade. Ele nos impulsiona a sair de nossas zonas de conforto, a abandonar hábitos e memórias limitantes, e a nos aventurar em territórios desconhecidos. O amor é também um estado de atenção e escuta, não apenas uma emoção, mas uma disposição para estar presente e atento às necessidades e desejos do outro.
Amar é sair de si, ir ao encontro, descentrar-se, estar fora de si. O amor diz: vai. Nos manda sair, deixar nossos hábitos, sair do conhecido, sair do ego, dar um passo a mais e além. Sair do passado, das representações, das memórias, dos tradicionalismos, das confusões, e aventurar-se, correr o risco, deixar pai e mãe, migrar, entrar no desconhecido.
A essência do amor é a liberdade. Amar alguém é desejar sua liberdade e felicidade, respeitando seu ritmo e desejos. Isso implica em renunciar ao controle sobre o outro, reconhecendo-o como um ser autônomo. O amor verdadeiro não busca possuir ou dominar, mas sim permitir que o outro seja plenamente ele mesmo.
Por isso, amar é
escutar, melhor, é um estado de escuta, de atenção, estar inteiro, estar
presente, estar centrado. Amor não é só emoção, mas atenção ao desejo do outro.
Escutar com o coração e dizer ao outro que ele é belo. Olhá-lo com
benevolência. O olhar liberta o que há de melhor
O amor é uma força que ilumina e purifica, transformando o cotidiano em uma celebração da vida. No contexto do amor fraterno, vislumbramos o amor divino, e através do amor humano, podemos sentir a presença de Deus. O amor nos transforma, tornando-nos mais alinhados com o que é bom e verdadeiro. É uma força eterna que habita em nós, e o ato de amar é, em sua essência, um ato de doação generosa e desinteressada.
Amar alguém é querê-lo livre. É querer o seu bem. Não podemos forçar alguém nos amar. Não há amor onde não há liberdade e respeito. Respeitar o ritmo e o desejo do outro. O amor é paciente, porque respeita a hora do desejo do outro. É amor não impor nossos desejos e não forçar os desejos do outro. Tudo isso significa renunciar ao poder sobre o outro, fazendo dele uma coisa, um objeto. Amar é não querer o outro para mim, mas para ele mesmo, que vá em direção de si mesmo. Não podemos amar alguém se não somos nós mesmos.
Em resumo, o amor é o sol que ilumina nossas vidas. No
amor fraterno está visibilizado o amor de Deus, melhor, o amor divino se faz
perceptível. Deus ama por intermédio de nosso amor. Quem ama, vive pensando no
amado e se abre ao amor social. O amor faz com que coloquemos o coração em
tudo, vivamos centrados e alegres. Deus habita no amor humano quando este é
verdadeiro. O amor é a eternidade habitando

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