Sacramento da Confirmação - 05

 

 

TESTEMUNHO DA TRADIÇÃO

            Sabemos nos primeiros tempos da Igreja a Crisma era estreitamente unida com o batismo, todavia, em base as testemunhas da antiga tradição cristã, essa aparece como um rito sacramental distinto do batismo mesmo. Tertuliano reconhece no batismo uma preparação a receber o Espírito Santo: “Não que a água vos dê o Espírito Santo, mas purificando-vos dos pecados prepara vos a recebê-lo.[1]” Depois do Batismo se faz a unção de todo o corpo — unção batismal — e em seguida tem lugar a imposição das mãos: “Saídos do banho batismal, são ungidos com a unção bendita, segundo a disciplina antiga, segundo a qual se praticava uma unção com óleo foi ungido Aarão por Moisés; daí seu nome: ungido.[2]Segue, pois, a imposição das mãos, mediante a qual, com uma palavra de bênção, o Espírito Santo é chamado e invocado sobre nós: dehinc manus imponitur per benedictionem advocans et invitans Spiritum Sanctum[3]O efeito deste rito é a comunicação do Espírito Santo. No escrito  Da ressurreição da Carne (c.8) Tertuliano enumera os seguintes ritos de iniciação: batismo, unção, sinal da cruz na fronte (consignatio), imposição das mãos, comunhão.

            Hipólito de Roma († 235) na Tradição Apostólica recorda os seguintes ritos da crisma: imposição das mãos por parte do bispo e oração, unção com óleo consagrado, esta unção é diversa daquela feita pelo sacerdote depois do batismo, é feita impondo a mão e recitando uma fórmula trinitária de bênção, sinal da cruz na fronte e ósculo da paz[4].

            Papa Cornélio (251-253) se lamenta que Novaciano, o qual  fora administrado o batismo dos clínicos, por médico, não havia curado curado da doença, recebendo aquele que por regra  eclesiástica tinha que receber, fora confirmado — consignatus — pelo bispo. Porque como poderá receber o Espírito santo?[5] São Cipriano († 258) referindo-se a Atos 8, 14 diz: “Isto se faz agora, hoje, perto de nós; aos batizados venho apresentá-los ao chefe da Igreja (= os Bispos), porque com a nossa oração e a imposição das mãos receberão o Espírito Santo e com o sinal do Senhor sejam consumados, isto é, aperfeiçoados na graça batismal[6].   Segundo o Concílio Espanhol de Elvira (cerca de 306) aquele que recebeu o batismo por um leigo em caso de necessidade, por doença grave ou por um diácono, deve ser apresentado ao bispo “porque mediante a imposição das mãos passa ser aperfeiçoado”, isto é crismado[7]. São Cirilo de Jerusalém († 386) ou o seu sucessor João (?) dedica à crisma a terça catequese mistagógica intitulada “da unção” (peri  xrismatoz). Ulteriores testemunhos  são fornecidos por Ambrósio[8], Jerônimo[9], Inocêncio I[10], Agostinho[11], Leão I, o Magno[12], Pseudo-Dionísio[13].  A escolástica argumenta a existência do sacramento da crisma da analogia[14] entre vida natural do corpo e da sobrenatural da alma, numa visão evindentemente platônica, até diríamos apenas didática, mas não de facto. Como ao nascimento corporal corresponde o sacramento do resnacimento espiritual, o batismo; assim ao  crescimento do corpo corresponde o sacramento que fortifica e aperfeiçoa a vida sobrenatural, a crisma.




[1] De Bapt. C. 6.

[2] C. 7.

[3] C. 8.

[4] Cf.  IN Dan.. I, 16.

[5] Ep. ad Fabium Ant; Eusébio, H e. VI, 43. 15.

[6] Ep. 73, 9; Cf. Ep 74, 5 e 7.

[7] Can. 38 e 77; DS 117 d-e.

[8] De sacr. III, 2, 8-10; De mist. 7, 42.

[9] Dial. c. Lucifferianos 8.

[10] Ep 25, 3.

[11] De Trin. XV, 26, 46; In ep. Ioan. Tr 6, 10.

[12] Sermo 24, 6.

[13] De eccl. Hier. 4, 3, II.

[14] O negrito é nosso. Pois esta dualismo é perigoso se não entendido como uma forma didática, pedagógica e analógica de entender a realidade teológica.



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