Sacramento da Confirmação - 04
TESTEMUNHO DA SAGRADA ESCRITURA:
A instituição da crisma por parte de Cristo se pode provar só indiretamente com a Escritura. Depois que já os profetas do Antigo Testamento tem anteriormente citado a efusão do Espírito divino sobre a humanidade como característica da própria época messiânica[1],
Jesus promete aos seus apóstolos e a todos os futuros crente que enviará a eles o Espírito Santo, como podemos ver pelos seguintes textos:
“Depois disto, derramarei o meu espírito sobre toda carne. Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos, vossos jovens terão visões. Mesmo sobre os escravos e sobre as escravas, naqueles dias, derramarei o meu espírito”. Joel 2, 28-29 / M. 3, 1-2.
“ Se me pedirdes algo em meu nome, eu o farei. Se me amais, observareis meus mandamentos, E rogarei ao Pai E ele vos dará outro Paráclito, Para que convosco permaneça para sempre, O Espírito da Verdade, Que o mundo não pode acolher, Porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, Porque permanece convosco”. Jo 14, 16-17; 16, 7ss.
“Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina. Entrou então para ficar eles.” Lc 24, 29b.
“... pois João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias.” At 1, 5.
“... aquele que crê em mim!’ conforme e a Escritura: de seu seio jorrarão rios de água viva’. Ele falava do Espírito que deviam aqueles que tinham crido nele, pois não havia Espírito, porque Jesus ainda não fora glorificado.” Jo 7, 38-39.
Em
Pentecostes lhes cumpriu a promessa nos confrontos da primitiva comunidade
cristã. Atos 2, 4: “E todos ficaram
repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o
Espírito lhes concedia se exprimissem.” Em seguida os Apóstolos comunicaram
o Espírito Santo aos batizados mediante o rito exterior da imposição das mãos.
Atos 8, 14-17: “Os apóstolos, que estavam
em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria acolhera a palavra de Deus,
enviaram-lhes Pedro e João. Estes, descendo até lá, oraram por eles, a fim de
recebessem o Espírito Santo. Pois não tinha caído sobre neles deles, mas
somente haviam sido batizados em nome do Senhor Jesus. Então começaram a
impor-lhes as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo.”
Segundo
Atos 19, 6 Paulo, com o mesmo rito, comunicou o Espírito Santo a alguns
discípulos de Éfeso, após a recepção do batismo cristão: “E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles:
puseram-se então a falar em línguas e a profetizar.”
Segundo
Hebreus 6, 2 a imposição das mãos, que
tem por efeito a comunicação do Espírito Santo[2]
pertencem, juntamente com o batismo, aos principais fundamentos da religião
cristã. Por estes passos resulta a sacramentalidade da crisma:
a)
Os Apóstolos fizeram e seguiram um rito sacramental,
constituído na imposição das mãos e na oração.
b)
Efeito deste rito externo foi a comunicação do
Espírito Santo, princípio da santificação interior. Segundo Atos 8, 18 entre a
imposição das mãos e a comunicação do Espírito tem-se uma relação de causa e
efeito (per impositionem manuum
Apostolorum).
c)
Os Apóstolos agiam por encargo de Cristo. Tendo Ele
mesmo lhes prometido a comunicação do Espírito a todos os crentes, precisa
também admitir que havia dado instruções mais precisas sobre o modo com que
efetuá-la. A espontaneidade com a qual os apóstolos, que se consideravam
embaixadores de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus[3],
se serviram do rito da imposição das mãos, faz supor uma disposição de Cristo
em referência a este rito.
Santo Tomás ensina que Cristo instituiu o sacramento da crisma não conferindo-o — non exhibendo —, mas prometendo-o — sed promittendo — enquanto a doação da plenitude do Espírito Santo não podia vir primeiramente da ressurreição e da ascensão de Cristo ao Céu.[4]
Alguns teólogos escolásticos, por exemplo o mestre Rolando e S Boaventura, são
da opinião que a Crisma fora instituída pelos Apóstolos, isto é, pelo Espírito
Santo mediante os apóstolos — instituição
divina mediata. Alessandro di Hales pensa que seja instituída por
inspiração do Espírito Santo em um Concílio de Meaux; ele, porém, entende
sobretudo dizer que fora definitivamente fixado o rito em uso ao seu tempo e
não contesta a disposição de Cristo acerca da imposição das mãos conferindo,
assim, o Espírito.
[1] Joel 3, 1-2; Is 44, 3-5; Ez
39, 29; At 2, 17;
[2] Versículo 4: “De fato, os
que uma vez foram iluminados — que saborearam o Dom celeste, receberam o
Espírito Santo.
[3] 1Cor 4, 1.
[4] S.Th. III, 72, I ad I.
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