Sacramento da Confirmação - 03

 


SACRAMENTALIDADE DA CRISMA:

A Crisma é um verdadeiro e próprio Sacramento”. 

De fide. Contra os reformadores que refutavam a crisma porque não era fundada na Escritura, o Concílio de Trento declarou: “Se  qualquer um que diga que  a Crisma é uma ociosa cerimônia e não real, verdadeiro e próprio sacramento, seja anátema: Si quis dixerit, confirmationem baptismotorum otiosam cæremoniam esse et non potius verum et propium sacramentum[1]

A Apologia da Confissão augustana, escrita por  Melantone, afirma que a crisma[2] é um rito transmitido pelos Padres, não necessário à salvação porque não instituído e imposto por Deus. Segundo a historiografia racionalista dos dogmas[3] a crisma teve origem pelo fato que a simbólica imposição das mãos, que originariamente acompanhava o batismo, foi separado e dá-se independentemente. Pio X rechaça  a afirmação dos modernistas segundo o batismo e crisma na Igreja primitiva não eram dois sacramentos distintos: “Não há  argumentos para provar que o rito do sacramento da confirmação seja praticado pelos apóstolos: a distinção formal, pois, dois sacramentos, isto é do batismo e da confirmação não pertence à história do cristianismo primitivo: nihil probat ritum sacramenti confirmationis usurpatum fuisse ab Apostolis: formalis autem distinctio duorum sacramentorum, baptismi scilicet et confirmationis, haud spectat ad historiam christianismi primitivi[4]

A confirmação é um verdadeiro sacramento. A crisma, como todos os outros sacramentos, foi instituído por Jesus Cristo, ignora-se, entretanto, em que circunstâncias isso tenha acontecido. Admite-se comumente que Jesus a tenha instituído após a sua Ressurreição, nos dias que ainda passou na terra para completar a formação dos Apóstolos e a organização da Igreja. Mas é certo, como se vê pelos Livros Sagrados, que os Apóstolos começaram a administrar a Crisma aos fiéis logo depois de Pentecostes[5]

Pelo Batismo o homem nasce para a vida da graça. Esta vida eterna tende a expandir-se, desenvolver-se, crescer. O crescimento na ordem natural não é uma função essencialmente diversa do nascimento; é a sua continuação. Assim na ordem sobrenatural. Por isso a Confirmação não confere a graça primeira: exige-a e aumenta-a. Portanto, a crisma é o sacramento dos vivos; como tal, de per si, não confere a graça primeira, mas aumenta e aperfeiçoa a graça santificante recebida no Batismo ou recuperada pela Confissão. 

No entanto, o crescimento inclui a idéia de robustez que não há no nascimento que é caracterizado pela  fraqueza. Igualmente a Confirmação, além do aumento da graça santificante, comunica à alma uma graça especial, que consiste numa força sobrenatural que robustece o cristão e o torna capaz de confessar a sua fé por palavras e obras. 

Além disso, infunde em maior abundância na alma os dons do Espírito Santo, aperfeiçoando e confirmando desta maneira a obra de santificação iniciada no Batismo. A esse  aumenta da graça santificante, pela crisma, corresponde um aumento das virtudes infusas, tanto teologais como morais. Acompanha também a graça santificante a graça sacramental que consiste em graças atuais especiais, a fim de que o crismado viva realmente, pela fé e pelas obras, a sua confirmação, sendo na vida um valente e fiel “esposa”. Esta obra durará toda a vida, é certo; mas será garantida pelo caráter batismal e por uma nova potência que é igualmente indelével e também chamada caráter, que neste Sacramento lhe é ajuntada. 

O caráter da confirmação enregimenta o cristão sob o estandarte de Cristo como seu soldado e confia-lhe a missão especial de lutar contra os inimigos da fé. Ao mesmo tempo habilita-o para receber licitamente as ordens hierárquicas que lhe permitirão exercer em vários graus os atos do culto. A crisma não é estritamente necessária para salvar-se. Entretanto, como o adverte expressamente a lei da Igreja, ninguém deve fugir desta responsabilidade da fé. Na verdade, a Crisma constitui um enriquecimento admirável de graças e de forças sobrenaturais, que facilitam o exercício da vida cristã e a consecução da eterna salvação.  

A crisma é um sacramento de perfeição e plenitude; produz aumento da graça santificante e das virtudes infusas, uma infusão especial dos dons do Espírito Santo, ademais, a graça sacramental e imprimindo na alma o caráter de defensor da fé e do reino de deus que se faz no já e no ainda não, numa esperança escatológica. 

Em suma, crisma é o sacramento que nos dá o Espirito Santo, imprime na alma o caráter e faz-nos perfeitos cristãos, pois ele nos confirma na fé e aperfeiçoamento das outras virtudes e dons que recebemos no Batismo. Os dons do Espírito Santo que recebemos na Crisma, com especial abundância, são sete: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. Os efeitos da Crisma são: aumento da graça santificante e das virtudes  infusas, uma especial infusão dos dons do Espírito Santo, juntamente com a graça sacramental e a impressão do caráter indelével, o qual consiste numa especial e perpétua consagração à realeza  de Cristo. É a crisma o sacramento de vivos; por conseguinte, quem a recebe deve estar na graça de Deus e, se já tiver o uso da razão, deve conhecer os principais mistérios da nossa fé e apresentar-se para receber este sacramento com devoção, profundamente compenetrado daquilo que as cerimônias significam.



[1] DS 1628.

[2] Art. 13, 6.

[3] Harmak.

[4] DS 3444.

[5] Jo 2, 27; 2Cor 1, 20-21.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

9. Fontes de Direito Canônico: normas e atos jurídicos, normas canônicas.

1. Identidade e Missão da Família Cristã na Igreja

6. A Participação dos Anjos na História da Salvação (junho 27, 2020)