Crisma e História da Salvação

 


A confirmação torna mais explícita a ação do Espírito Santo, em relação ao nosso “agir cristão”; o batismo, em relação ao nosso “ser cristão.

A relação entre a Crisma e a história da salvação é de grande relevância no contexto da teologia sacramental. A Crisma é tradicionalmente associada ao evento do Pentecostes, que representa a primeira efusão plena do Espírito Santo sobre a Igreja, um acontecimento intrinsecamente ligado à ressurreição de Cristo. Esta relação entre a Crisma e o Pentecostes, por sua vez, é inseparável da Páscoa, o evento central da fé cristã. Nesse sentido, a participação no mistério pascal de Cristo exigia naturalmente a participação no dom de Pentecostes.

O Pentecostes, como resultado da ressurreição de Cristo, simboliza a dádiva do Espírito Santo à comunidade cristã. Esse dom divino marcou o início da missão da Igreja no mundo e sua capacitação para testemunhar o Evangelho. Da mesma forma, a Crisma é vista como o sacramento que confere aos indivíduos a plenitude do Espírito Santo, permitindo-lhes, assim, participar ativamente da história da salvação.

A ligação entre a Crisma e a história da salvação não apenas situa os sacramentos na perspectiva da salvação divina, mas também proporciona uma compreensão mais profunda da ação do Espírito Santo na celebração do sacramento da confirmação. O que aconteceu à Igreja no dia de Pentecostes, quando ela foi revestida com o poder do Espírito Santo, é agora replicado em cada cristão por ocasião do sacramento da confirmação.

No momento da Crisma, a ação multiforme do Espírito Santo não se esgota na celebração ritual, e tampouco está condicionada à situação histórica do neo-crismando. Pelo contrário, a Crisma é um ato contínuo da ação salvífica de Deus na história da salvação, capacitando o indivíduo a viver de acordo com a vocação cristã e a ser um autêntico testemunho do Evangelho em todos os momentos de sua vida.

Assim, a Crisma não é apenas um ritual sacramental, mas também um elo vivo na cadeia da história da salvação, conectando cada cristão ao dom do Espírito Santo, à ressurreição de Cristo e ao Pentecostes. Ela capacita o indivíduo a ser parte ativa dessa história contínua, permitindo que a ação do Espírito Santo o guie, inspire e fortaleça em sua jornada de fé.

Em conclusão, a relação entre a Crisma e a história da salvação é fundamental para uma compreensão mais profunda da significância desse sacramento na vida do cristão. A Crisma não é apenas um rito eclesial, mas uma participação contínua na obra salvífica de Deus ao longo da história. Ela capacita o indivíduo a ser um agente ativo da missão da Igreja, testemunhando o Evangelho e vivendo de acordo com a vocação cristã, em comunhão com o Espírito Santo e em consonância com os eventos salvíficos fundamentais da Páscoa e do Pentecostes.

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