Gratidão Derradeira

 


Gratidão Derradeira


Congonhas, 12/09/1983
Dom Oscar de Oliveira

 
Mãos enrugadas, pele escurecida,
Quase nula audição, corpo tremente,
Olhos vidrados, voz enlanguecida,
Titubeante e esclerosada mente.
 
Dos que acham ter, na terra, eterna vida,
Quanto ao velhinho dói-lhe ouvir, frequente,
Ser de biblioteca obra esquecida
De a morte não lembrar-se do “demente”…
 
A sós, tristonho, põe-se a meditar:
“Eu não encontro amigos que sua avisem
Minha dor… É, pois, a hora de largar…
 
Mas, Gratidão no peito seu repousa
Há pessoa bondosa que lhe dizem
Que ele ainda serve para muita coisa.
 

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