Teologia Dedutiva e Indutiva: Compreendendo os Movimentos do Conhecimento Teológico

 

Rawy Chagas Ramos

A teologia dedutiva e indutiva são dois tipos de conhecimento teológico que nos permitem compreender de maneira mais clara a estrutura interna da teologia e perceber o movimento duplo possível. A teologia pode iniciar sua reflexão a partir dos princípios universais da fé e, por meio da dedução, explicitar e aplicar essa fé a outra realidade, como uma luz sobre regiões obscuras. Da mesma forma, pode partir de perguntas que emergem da vida humana e de suas diversas experiências, apresentando respostas à luz da revelação e da história do povo.

Esses dois tipos de conhecimento teológico nos auxiliam a compreender de forma mais clara e concisa a mudança que o Concílio Vaticano II trouxe para a produção do ensino, ao mesmo tempo em que despertam curiosidades e estimulam o desejo de adentrar mais profundamente no mistério tanto da teologia quanto do divino em sua Revelação. Portanto, após essa breve introdução sobre esses dois tipos de teoria teológica, vamos especificar cada um deles de maneira mais detalhada, com o intuito de alcançar uma compreensão aprimorada.

Conhecimento Dedutivo: Esse conhecimento dominou até o início do Concílio Vaticano II e é considerado uma "teologia de cima", pois parte dos dogmas e da própria fundamentação da Revelação. Durante muito tempo, foi trabalhado e exercido de forma diligente pela escolástica de Santo Tomás de Aquino. Essa teologia consiste em sistematizar, definir, expor e explicar a verdade revelada. Ela parte da própria verdade e analisa como essa verdade se manifesta mediante a fé, estabelecendo uma relação mútua entre elas.

Esse conhecimento é denominado dedutivo porque trabalha com o silogismo, partindo de afirmações universais e do princípio da fé. Ele apresenta uma afirmação de natureza filosófica (menor) e sempre chega a suas conclusões por meio de deduções, estabelecendo, assim, afirmações teológicas (maiores). Essa teologia tem como objetivo declarar e explicitar o que está na Revelação, buscando proporcionar um maior entendimento da fé. Com o passar do tempo, essa teologia foi sendo deixada de lado, um tanto esquecida, devido a acontecimentos históricos, avanços científicos e ao próprio progresso da razão. Desse modo, começaram a surgir limitações, especialmente diante dos questionamentos da modernidade e da superestimação da razão promovida por eles. A partir desse momento, o conhecimento teológico dedutivo começou a perder espaço, dando lugar a uma nova teologia: a teologia indutiva.

Conhecimento Indutivo: Também conhecido como "teologia que parte de baixo", é trabalhado em movimentos teológicos e se torna predominante após o Concílio Vaticano II. Esse segundo tipo de conhecimento se caracteriza por refletir a partir dos questionamentos que surgem na realidade e nas experiências cotidianas de fé da humanidade, ao mesmo tempo em que vai da experiência ao dogma. O conhecimento indutivo possui dois momentos em seu movimento: o primeiro leva em consideração a observação, enquanto o segundo valoriza a reflexão sobre aquilo que é observado e experimentado na realidade. Para esses teóricos, a verdadeira experiência é o verdadeiro conhecimento, que pode então ser chamado de fé, caracterizando assim um conhecimento plural.

Fica evidente, portanto, que o que diferencia esses dois tipos de conhecimento são os movimentos e a periodização de cada um. Enquanto o conhecimento teológico dedutivo parte da realidade da fé em direção à experiência e a analisa de maneira mais racional, o indutivo parte da experiência em direção à fé, buscando justificá-la na realidade vivida. Outro dado importante é que o conhecimento teológico dedutivo está situado até o início do Concílio Vaticano II, enquanto o indutivo começa a ganhar força após esse importante evento histórico da Igreja.

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