Respeito à Família - Frei Estêvão Nunes
O Arquidiocesano Ano XXVI – 30/12/1984
Mariana, p. 4 nº 1320.
Frei Estêvão Nunes
A
família é coisa santa; foi Deus quem a inventou, desde o dia em que criou o
primeiro homem e a primeira mulher, e os uniu no amor e pelo amor; "serão
os dois uma só carne" Por esse sempre foi e motivo, a família sempre
haverá de ser, apesar dos que profetizam o seu desaparecimento, o
"lugar" mais autêntico da realização da pessoa humana. Deus a quis um
paraíso, e se há tantas pessoas que a transformaram num inferno, é porque não
quiseram reconhecer os projetos de Deus e deixaram que o egoísmo minasse os
seus alicerces.
A
chave de tudo está no amor, aquele amor simples que se concretiza nos mil
gestos cotidianos de delicadeza, atenção, compreensão mútua, aceitação
recíproca, sensibilidade para perceber o outro no seu íntimo, doação de si sem
subterfúgios e sem reservas. Todo esse conjunto de atitudes que, unidos às
pessoas e às paredes, nós chamamos de "lar". Lar significa calor
humano, ninho aconchegante, refúgio seguro nas horas de tristeza, ombro amigo
onde se pode chorar as próprias angústias, partilha nos bons e nos maus
momentos, mãos dadas material e espiritualmente falando para enfrentar as
pedras da vida. De tudo isso a gente precisa; precisou ontem e vai precisar
amanhã. Realmente, o homem nunca poderá inventar a outra instituição que venha substituí-la.
A prova está em todos aqueles que
tiveram de enfrentar a vida sem ter onde se apoiar. Que luta, meu Deus! E quantos
foram vencidos nessa luta!
E
eu fico triste, muito triste, quando percebo todos os inimigos da família, que
destilam o seu veneno através de toda a perfeição da técnica moderna, nos meios
de comunicação. O veneno vai penetrando devagarzinho dentro da cabeça e do
coração de todos os nossos filhos, adolescentes e jovens que bebem na televisão
uma ordem iníqua de valores que lhes é apresentada, sobretudo nas novelas, como
sendo natural e normal. O que pensarão amanhã esses nossos filhos, a respeito
do amor, da fidelidade, do respeito pelo outro, do próprio casamento? Se o que
lhes é apresentado como natural é a busca pura e simples de satisfações egoísticas
numa pseudo- realização pessoal que destrói o valor da pessoa e a transforma em
coisa simplesmente? O que pretendem esses produtores
O
próprio Deus, ao se encarnar, quis ter aqui na terra uma família; quis ter uma
mãe, quis ter um pai adotivo, viveu trinta anos no recesso do lar. E assim nos
mostrou o valor intrínseco. Quando Deus criou o mar, o céu, as estrelas, os
animais, Ele viu que tudo isso era bom, diz a Bíblia, mas o homem sozinho, Deus viu que não era bom: ”não
é bom que o homem esteja só”. E por isso criou a mulher. Aí está
consubstanciada a santidade do casamento, e portanto da família. Como vontade
de Deus para a felicidade do homem. É a própria lei da natureza.
Por
que então toda essa trama, para destruir o que Deus quis como caminho natural
de realização do ser humano? Por que vem gente dizer que a família é castradora
da personalidade? Só mesmo quem 'não viveu família, só mesmo quem não teve a
felicidade de crescer dentro de um verdadeiro "lar" será inveja? será
frustração?
E nós cristãos, o que estamos fazendo, para defender esta instituição sagrada? Também nós nos deixamos levar pela onda, e nos tornamos instrumentos úteis nas mãos daqueles que manipulam, por interesses escusos, a opinião pública através dos meios de comunicação. Não vamos fazer nada? Não vamos reagir? Vamos também nós beber o veneno, e deixar que nossos filhos o bebam? Será que já não é hora de acordar?

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