Identidade e Missão da Famíla Cristã na Igreja in Palavra de "Comunhão e Participação "

 


IDENTIDADE E MISSÃO DA FAMÍLIA CRISTÃ NA IGREJA

“Pai, aqueles que me deste, quero que eles também estejam onde eu estiver, para que contemplem minha glória, aquela que me deste por me teres amado antes da criação do mundo”. (Jo 17,24)

 

Tendo em conta todos os aspectos, inclusive sociais e psicológicos, característicos de cada sociedade humana, a Família representa o sentido exato da Graça: é um vinculo novo, sobrenatural. Contudo, ela não é ligada à Igreja, simplesmente, como a família humana se agrega à sociedade civil; mais do que isso, ela é um dom do Espírito Santo que, no Sacramento, faz dos cônjuges e da família cristã, um reflexo vivo e uma encarnação histórica da Igreja. Neste sentido, a Família Cristã se coloca na história como sinal eficaz da Igreja, ou seja, como uma “revelação” que manifesta o mistério da salvação.

Portanto, o relacionamento Família Cristã–Igreja é recíproco e nisto, se conserva e se aperfeiçoa. Depois, com o anúncio da Palavra e a Fé, a Igreja-Mãe, guiada pelo serviço da Caridade, gera, santifica e promove a Família dos batizados. Ao mesmo tempo, a Igreja chama a Família Cristã a fazer parte, como agente ativa e responsável, na missão de salvação.

Por tudo isso, recebe o Amor de Cristo, que salva, e comunica-O na reciprocidade dos dons entre os integrantes de seu convívio. E assim constitui-se na autêntica Igreja Doméstica.

Os esposos participam do Amor de Cristão de uma maneira original e própria, não como pessoas individuais, mas como união de duas pessoas. Eles atuam juntos no cotidiano, através de um amor conjugal. Nisto consiste a comunhão que cria a comunidade eclesial na família, prolongando-se na história que se torna sagrada. E isto ocorre por estar inserida dentro do Povo de Deus, ou seja, em nós!


FAMÍLIA: IGREJA DOMÉSTICA

“Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que hão de crer em mim por meio da sua palavra”. (Jo 17,20)

 

A Família deve tornar-se aquilo que é: Família! Parece óbvia tal afirmação, porém, a turbulência de nossos dias nos obriga a insistir na redundância de conceituar o óbvio e esclarecer aquilo que naturalmente já é bem claro. Muitos são os teóricos sobre este assunto, de tal forma que sua essência se perde entre “chavões literários” e “figuras de retórica” que nada dizem, ou por outra, confundem ainda mais. Devemos, através das fontes genuínas e de referências idôneas, chegar a uma síntese clara e única sobre a Família.

Para realizarmos este intento, necessitamos de critérios teológicos e morais de análise para descobrirmos linhas pastorais que conduzam a uma espiritualidade familiar, sobretudo sobre o aspecto conjugal, que seja expressão de vida e esperança. Sem este ponto de partida, dificilmente iremos assumir a Família no seu conteúdo específico de vocação e missão divina e, consequentemente, sob a forma de uma convivência amadurecida no Amor.

Dentro deste quadro amplo vale destacar a importância da Família como Igreja Doméstica. O Santo Papa São João Paulo II, certa vez afirmou, ao visitar pastoralmente uma paróquia, que seu primeiro pensamento objetivava às Famílias que viviam na referida comunidade paroquial, que constituíam parte da Igreja de Roma.

Vemos aí toda a belíssima estrutura da Igreja de Cristo. No sentido mais amplo, tornamos a Igreja Universal, Igreja de Roma, que se legitimiza na sucessão direta de Pedro. Num sentido mais específico, encontramos a Igreja Particular, Igreja-Diocese (funcionalmente organizada em Vicariatos e paróquias), que possui seu vínculo no Bispo, enquanto este refletir a fidelidade ao Papa.

Finalmente, temos a Igreja Doméstica, Igreja-Família, comunidade de fé onde Cristo habita independentemente de qualquer situação humana (social, econômica, política, etc.).

O relacionamento entre estes diversos âmbitos da Igreja Católica encontra seu fundamento e fonte na celebração dos Sacramentos. Em cada um dos Sacramentos de fé, a Igreja-Mãe, nitidamente unida a Cristo no Espírito Santo, manifesta e vive de forma privilegiada a fecundidade da Graça. A fidelidade de cada parte (famílias, padres, bispos e Papa), entre si e principalmente ao Cristo, será característica principal da Identidade como Igreja.

Desta forma a Família, que é inserida na Igreja pelo Espírito Santo, através do Sacramento do matrimônio, ganha uma imagem que a constitui em célula viva e vital da própria Igreja.



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