Família e as dificuldades ao diálogo
Desafios no estabelecimento do diálogo no âmbito familiar: uma análise reflexiva.
Intolerância: A pessoa centraliza-se, acredita ser a
detentora da verdade, demonstra inflexibilidade, despreza o ponto de vista
alheio e desrespeita o outro. Intolerância é sinônimo de autossuficiência e
obstáculo ao diálogo. Para que haja um diálogo efetivo, é necessário cultivar a
humildade e o desejo de crescimento pessoal, assim como aprender com as falhas.
Surdez: A pessoa escuta, mas não ouve. Há uma escuta
superficial, sem reflexão ou aprofundamento. A surdez pode ser caracterizada
como uma atitude distante, com um coração endurecido ou ferido. Ouvir é abrir
as portas do coração e estar disposto a aceitar a verdade libertadora. A acolhida
e a escuta ativa são fundamentais para o sucesso do diálogo.
Paralisia: O indivíduo não se abre, não busca compreender o
outro e assume uma posição superior. A paralisia pode ser originada pelo
orgulho. É importante reconhecer nossas limitações, abandonar a ideia de
superioridade e não responsabilizar ou acusar os outros. A rendição e a
humildade são cruciais para a superação desse obstáculo.
Monólogo: O sujeito fala constantemente, demonstra
desinteresse pelo outro, assume posturas rígidas e não aceita mudanças ou
críticas. O verdadeiro diálogo requer o conhecimento e a prática das regras do
diálogo. O monólogo representa dominação e poder, enquanto o diálogo é uma
ponte, um encontro e uma comunicação. É preciso ouvir e falar.
Posse: A pessoa acredita ser a dona da verdade, é inflexível
e dogmática. O relacionamento, neste caso, não é de aliança, mas de dominação.
O diálogo bem-sucedido requer disposição para mudar e adaptar-se.
Oportunismo: O diálogo é utilizado como uma estratégia falsa
ou uma aparência democrática. A falta de transparência e coerência prejudica a
confiança e desestimula a continuação da conversa. A sinceridade e a
transparência são condições indispensáveis para o diálogo.
Pressa: A falta de tempo, a impaciência e a despreparação para
o diálogo conduzem ao fracasso. A pressa pode ser sinal de fuga, desinteresse
ou medo. O diálogo requer preparação, tempo, oração e uma boa avaliação.
Neutralidade: O indivíduo não assume compromissos e
demonstra desinteresse. No fundo, há uma resistência às mudanças e
responsabilidades. A neutralidade pode resultar no descrédito do diálogo como
estratégia de autodefesa.
Blasfêmia: Ofensas, palavrões, desrespeito e humilhações
prejudicam o diálogo. A verdade deve ser dita com caridade e tato, de modo a não
ferir o outro. A sensatez é crucial para a manutenção de um diálogo saudável.
As estreitezas: É o tradicionalismo, o rigorismo, legalismo,
intransigência, teimosia, às vezes chega-se ao fanatismo. A estreiteza é fruto
da educação moralizante que fortalece o conservadorismo.
Portanto, o diálogo é o encontro com nossas diferenças e nossos objetivos comuns. Quem abandona o diálogo, corre o risco de fracassar na vida familiar. A qualidade do relacionamento, ou seja, do diálogo, tem o poder de fazer de nossa casa um lar, lugar de encontro, aconchego, escola de vida, santuário de fé, laboratório do amor.
Comentários
Postar um comentário