Somos a Grande Família de Deus - IV junho 12, 2020
Somos chamados, como batizados,
a assumir nossa vocação na Igreja e no mundo.
Todos os homens são chamados ao mesmo fim, o próprio Deus. O amor ao próximo é inseparável do amor a Deus. A pessoa humana traz dentro de si as marcas do amor. Fomos criados por amor e com a missão de amar. Foi Deus quem nos amou primeiro. Por amor enviou seu filho Jesus ao mundo para ensinar o caminho do amor, da justiça, do perdão, da vida e da misericórdia a toda a humanidade. Viver uma vocação é viver o amor. Todos nós somos chamados, como batizados, a assumir nossa vocação na Igreja e no mundo. Jesus começou sua missão de servo de Deus pelo batismo que recebeu de João Batista, nas águas do rio Jordão.
Muitas vezes pensamos em vocação como aquela exclusiva e particular de sacerdotes e religiosos, esquecendo-nos que vocacionados somos todos nós, batizados.
O significado de vocação brota do batismo. É a base para compreendermos o sentido das vocações e dos ministérios da Igreja. “A partir do Batismo, todos somos chamados à santidade, à fé e ao seguimento de Jesus. Todas as outras vocações nascem da vocação batismal”. O batismo é a base de todos os ministérios.
O Batismo não é um rito mágico que serve para apagar pecados. Apaga o pecado original, sim, e os outros que houver, se o batizado estiver bem disposto. Mas é mais do que isso. O Batismo é um mergulho profundo na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, é nossa entrada no corpo místico de Cristo, a Igreja, para que, na variedade de dons, carismas e talentos que temos, nossa vida seja colocada a serviço da humanidade, na construção do mundo novo, segundo a vontade de Deus.
A nossa vocação batismal está intimamente relacionada com a força simbólica da água. A água do batismo nos faz nascer para uma vida nova em Cristo. A aspersão da água ou a imersão integram os rituais de iniciação cristã e acompanham todo o nosso sacramentário. A água é sinal da presença de Deus, é fonte de vida.
O Batismo nos faz iguais em dignidade sobrenatural, porém dá-nos a liberdade de espírito para vivermos a nossa vocação, como filhos e Deus no seguimento a Jesus Cristo, segundo a diversidade de dons pessoais que dele recebemos. E preciso avançar no seguimento a Jesus; não podemos ficar parados, quietos, esperando que o projeto de Deus seja realizado pelos anjos. E hora de acordar. E preciso viver a nossa vocação cristã para valer, sendo sal e luz do mundo, sendo verdadeiros missionários do Reino de Deus.
A graça recebida no Batismo faz-nos pertencer a Cristo, rompendo com qualquer pretensão de desigualdade no interior da comunidade. O que importa em primeiro lugar, não é ser bispo, padre, freira, diácono, leigo, leiga, mas discípulo e discípula de Jesus. A vocação é, sobretudo, chamado para o seguimento de Cristo. O sentido da palavra vocação vem do verbo latino vocare, que significa chamar. Esse chamado é revestido de um sentido de escolha. É Deus quem convoca e nos envia. Quando de fato tomamos consciência de que somos chamados por Deus para uma missão específica na Igreja e no mundo, grande parte dos problemas que temos hoje serão resolvidos, porque seremos capazes de olhar o mundo com o olhar de Deus.
Pelo Batismo passamos a fazer parte desse corpo de convocados pelo Senhor. Portanto, viver a vocação - leiga ou religiosa - é assumir ser parte desse corpo e, assim, testemunhá-lo aos outros. Esta é a nossa maior vocação.
O desafio de viver integralmente a vocação é o desafio de descobrir-se. É, pois, imprescindível o conhecimento de si próprio para poder, assim, colocar dons a serviço. Sem essa experiência de ver-se a si mesmo é impossível responder plenamente ao chamado do Senhor. Somos convocados por Deus a responder ao seu amor e só poderemos fazê-lo se estivermos conscientes de nossas possibilidades.
Acolher a palavra de Jesus, o seu chamado, comporta determinadas rupturas, muitas vezes radicais e a resposta à vocação vai exigir muita coragem. Como batizados somos chamados a formar um novo povo de Deus, a construir um novo reino, somos chamados a convocar e evangelizar, a proteger, estimar e amar o dom da vocação de cada ser humano; a atitude e a presença de Jesus revelam que a vocação é amor, é vida, é serviço.
Nosso Deus é um Deus encarnado na história e na vida do homem. Também é um Deus que não age sozinho: quer o homem fazendo parte da construção de seu plano de amor. Cabe, pois, a cada um - homem e mulher, religioso ou leigo - responder a esta convocação recebendo-a em seu coração como um convite amoroso de um Pai: que nos chama para o trabalho e que nos oferece de herança a sua glória.

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