Somos a Grande Família de Deus - III junho 12, 2020

 




Cristo quis nascer e crescer no seio de uma família hu­mana condicionada pelo ambiente social, religioso e político de seu tempo. Sua família está submetida a todas as dificulda­des e problemas que uma família vive.
Já antes do casamento, José pensa em abandonar sua noi­va, Maria, por se achar grávida. Mas, homem justo e temente a Deus, sem entender bem o que acontecia a acolhe e lhe dá todo o apoio necessário.
Submetidos às leis civis, o casal tem que viajar para Be­lém, para se registar, conforme determinara o Governador de Roma. Como era um casal pobre, não tiveram onde se hospe­dar e ninguém lhes ofereceu abrigo. E como era chegada a hora do menino nascer tiveram que buscar uma gruta no campo para que Maria pudesse aí dar à luz.
Submetidos às leis religiosas, o menino oito dias depois de nascido foi circuncidado e depois apresentado no Templo. Como eram pobres ofereceram um casal de pombos. Jesus, na adolescência, também deu trabalho para seus pais. Em Jerusalém ele os deixa e, eles aflitos, andam três dias à sua procura.
Quando procuramos falar em família, muitas vezes fala­mos naquele espaço de carinho, amor, compreensão, felicidade e paz. Mas todos sabem que a vida não são só flores e alegria. A família é um lugar de inúmeros e constantes conflitos. E isto é muito natural que aconteça, pois a família é formada por um homem e uma mulher que têm histórias diferentes e personali­dades diferentes. Os costumes, os gostos, as preocupações nem sempre são os mesmos. Cada filho que é gerado também tem uma personalidade diferente.
Nossas famílias estão submersas numa sociedade domi­nada pelo consumismo, o capitalismo, o prazer. O dinheiro acaba se tornando a preocupação maior, principal e central da vida. O princípio que rege as relações sociais é o do individua­lismo “cada um por si, Deus por todos”. Vivemos num mundo sujeito à lei do mais forte, do vale tudo. E as famílias acabam incentivando os filhos a buscarem sempre o melhor para si, a se tornarem competitivos, buscando superar os ou­tros, em vez de serem solidários na busca comum do bem de todos.
Muitos definiam a harmonia do lar pela sujeição pura e simples da mulher e dos filhos, à vontade do pai. E há muita gente que ainda pensa assim.
Estes princípios influenciam profundamente as famílias. Em nossas comunidades, quantas não são as famílias formadas só pela mãe e os filhos? Quantas não são as famílias que se desfizeram e o homem e a mulher buscam construir novas re­lações, mais sólidas?
Por isso a família mais que um lugar de amor, de com­preensão, de felicidade e de paz, é o lugar onde amor, compre­ensão, felicidade e paz têm que ir sendo conquistados e cons­truídos a cada dia, na superação das dificuldades que a vida apresenta, vencendo os problemas que vão se apresentando.
A conquista destes bens, porém, só será possível se sou­bermos buscar os verdadeiros valores. Costuma-se dizer que a família é responsável pela reprodução da sociedade. E real­mente acontece isto. Mas a família, mais do que reproduzir os valores da sociedade deveria ser a promotora de novos valores. Não terá sido este o significado do primeiro milagre de Jesus, numa festa de casamento, quando transformou a água em vi­nho? Mais do que reproduzir os valores da sociedade, a água de sempre a família precisa substituí-los pelos valores huma­nos que Cristo pregou, o vinho novo saboroso.
Na família a individualidade de cada um precisa ser res­peitada, é preciso aprender a conviver com as diferenças. Nós nascemos pessoa, mas a personalidade vai sendo forjada no dia-a-dia. Os pais devem considerar seus filhos como filhos de Deus e respeitá-los como pessoas humanas. Quanto mais equi­librada e estável a família, melhor será o ambiente para ir se forjando a personalidade dos filhos. Educar os filhos é dar tes­temunho de responsabilidade, de ternura, perdão, respeito, fi­delidade e serviço desinteressado.
Nós nascemos sociais, mas na família é que se vai desen­volver o sentido profundo de comunidade. A vida em família é iniciação para a vida em sociedade. A família é o lugar em que devem se aprender os grandes valores da partilha, da solidarie­dade, da justiça, da superação da discriminação.
A família pode e deve ser uma escola, uma comunidade de justiça e de amor, onde os verdadeiros valores humanos são desenvolvidos.
A família possui um único valor e insubstituível para o progresso da sociedade e da própria igreja: ser igreja doméstica, que acolhe, vive, celebra e anuncia a Palavra de Deus. É santuário onde se edifica a santidade e a partir de onde a Igreja e o mundo podem ser transformados e santi­ficados.

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