Somos a Grande Família de Deus - II junho 12, 2020

 



Jesus, o Filho de Deus, foi um grande profeta, enviado por Deus para anunciar à humanidade a Boa Notícia do Reino. Ele convidou o povo à conversão, a mudar de vida, sobretudo no que diz respeito às relações de injustiça, preconceito, explo­ração e a escravidão interior e exterior, para que todos, sem distinção de classe, raça, língua, pudessem ter acesso à vida plena e experimentassem a misericórdia de Deus Pai.
Jesus se preocupou em formar um grupo de discípulos e discípulas. Quis que aprendessem a viver entre eles as exigên­cias do Reino.
Jesus sempre esteve de um lado só, do lado dos pobres. Nasceu pobre, viveu pobre, foi enviado para trazer a Boa Noti­cia aos pobres. Aos ricos e poderosos ele denunciou suas injus­tiças e a opressão que faziam.
O estilo comunitário de vida deste grupo, totalmente dife­rente, sé tornou perigoso para as autoridades daquele tempo: foi visto como subversivo, porque subvertia a lógica de exclu­são, opressão e dominação sobre as quais o sistema se estrutu­rava. De fato, pobres, doentes, mulheres, prostitutas, estrangei­ros e todos os excluídos pelo sistema sócio-religioso, encon­travam em Jesus e sua pequena comunidade acolhida, abrigo e a possibilidade de serem libertados de sua opressão e, portanto, de serem reconhecidos na sua dignidade de gente e de filhos de Deus. Aqui está o motivo de toda a polêmica de Jesus com os fariseus, que o levou à morte e a dispersão da comunidade ao seu redor.
Depois da ressurreição de Jesus, o grupo dos discípulos se reuniu de novo. A memória das palavras e fatos da vida do Mestre e, sobretudo, a memória da sua paixão, morte e ressur­reição, permitiam ao grupo experimentar a presença viva do Cristo Ressuscitado. Estes elementos se tornam fundamentais, para os discípulos continuarem a missão iniciada por Jesus. Assim, animada pelo Espírito Santo, surgiu a Igreja, que, na sua origem, era comunidade. O livro dos Atos dos Apóstolos é rico de detalhes na descrição desta primeira comunidade, que logo se multiplicou em inúmeras comunidades espalhadas pelo mundo inteiro pela obra incansável de missionários itinerantes, como Paulo. No começo, tratava-se de pequenos grupos, que viviam a comunhão entre eles, assim como Jesus tinha ensina­do: por meio da partilha dos bens, da solidariedade e da frater­nidade.
Eram comunidades que atingiam o povo mais simples e se reuniam nas casas, onde, em muitos casos, a liderança era das mulheres. Cada um era reconhecido pelos seus dons e os serviços eram repartidos entre eles. As decisões eram tomadas de maneira democrática. Sua prática estava orientada para a promoção das pessoas e da vida; não havia entre eles necessi­tado algum.
Todos nós ficamos admirados diante da beleza e da pure­za destas primeiras comunidades, mas vale a pena lembrar, que havia problemas: a dificuldade em partilhar os bens materiais, o medo de se abrir ao novo, as divisões internas, os preconcei­tos raciais, sociais e religiosos. Estes mesmos problemas nós enfrentamos hoje em nossa comunidade.
A Igreja é a continuadora, no Espírito, da presença de Cristo no mundo. Jesus continua o mesmo, ontem, hoje e para sempre. Por meio da Igreja realiza-se a história da salvação.
O Reino de Jesus continua a se desenvolver no meio da­queles que têm boa vontade e aceitam sua mensagem. Uma sociedade nova já existe no coração de muitas pessoas e em muitas comunidades: os pobres são evangelizados; os oprimi­dos libertados; o perdão é anunciado a todos; e todos são con­vidados a viver o amor, a misericórdia e a serem produtores de união e de paz. Todos aqueles que aceitam a mensagem de Jesus estão fazendo parte deste novo Reino.
Jesus foi para junto do Pai, mas deixou a nós a missão de anunciar a sua mensagem em todos os tempos e lugares. A Igreja, grande presente de Deus para nós, é a maneira que ele inventou para estar conosco, fazendo-nos comunidade.
Para que possamos ser Igreja conforme os ensinamentos de Cristo, temos que conhecer o Evangelho, a realidade dos destinatários desta evangelização e o pensamento da Igreja, fiel depositária da mensagem evangélica. É através desta mensa­gem que conseguiremos chegar à transformação social, eco­nômica, política e cultural, numa crescente participação e comunhão, visando formar o povo de Deus e participar da cons­trução de uma sociedade justa e fraterna, sinal do Reino Defi­nitivo.
Na Igreja somos como filhos ao redor do Pai que nos educa, nos forma para a verdadeira vida. Na Igreja desenvolvemos nossa fé, vivendo a Trindade na unidade e na pluralidade. A Igreja é a presença viva do Espírito do Senhor na vida dos cristãos que continuam unidos na escuta da Palavra, na eucaristia e na comunhão fraterna. A Igreja é a realização do Projeto do Pai, pelo Filho, na ação do Espírito Santo. A Igreja é divina e humana ao mesmo tempo, somos nós, Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo.
Cristo, Filho de Deus, não era somente o homem que as pessoas contemplavam, mas era também Deus: assim a Igreja não é somente a organização das pessoas que se veem, é também a presença de Deus que se manifesta nas pessoas.

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