Relatório de Atividade Pastoral I
A nossa experiência pastoral não se deu somente após a academia, mas antes, mesmo quando atuávamos no ano pastoral quando diácono, onde colhemos informações, seja na Paróquia Nossa Senhora da Conceição em Rio das Ostras como na Paróquia do Cônego em Friburgo, Secretaria Diocesana de Barra do Piraí e Volta Redonda, Paróquia única de Volta Redonda, no setor Santa Cecília ou no Setor sul em São Paulo Apóstolo em Siderópolis, em São Sebastião na Sessenta, Sagrado Coração em Vila Nova, Santa Maria do Povo em Califórnia, Divino Espírito Santo em Morada do Vale ou mesmo na Paróquia Catedral São José em Ituiutaba/MG, nossa Diocese de Incardinação. Em todas elas observamos que havia uma carência enorme na porta de acolhimento, ou seja, na secretaria das Paróquias que se tornavam ao invés de acolhida, pareciam de expulsão!
Quem eram as secretárias e secretários destas paróquias? Quais as formações que tinham? Como se aprimoravam? Como se sentiam parte integrante e importante das Paróquias? Estas foram algumas das questões feitas ao pensar em criar um projeto para quando fôssemos designados numa paróquia. Não basta ser profissional e muito menos amador, mas é preciso ser verdadeiramente acolhedor! Há uma enorme carência, ainda hoje, em nossas paróquias, por mais que se digam em cursos de secretárias e secretários paroquiais. Afinal, o grande problema é como se escolhe e como se mantém esta pessoa em nossas paróquias. Usa-se muito o coração sim, mas se esquece o profissional humano. Não basta ser profissional também. Devemos ter secretárias profissionais que espelhem o que somos. Precisamos viver este ministério do acolhimento mais do que nunca, vendo em nossas paróquias, apesar e por causa de suas dificuldades, como que um Cristo desfigurado, crucificado, que pede que participemos e o transformemos num Cristo Ressuscitado.
Que Jesus nos ama pessoalmente e nos convida, a que, por nosso lado O amemos pessoalmente – testemunha-o todo o Evangelho… o olhar de Jesus posto sobre a Samaritana, a viúva de Naim, o bom ladrão etc., está, hoje, posto sobre nós… o olhar atual que nos distingue no anonimato da multidão. Olhar que passa pelo olhar do homem sobre o homem. No ato em que eu conheço outrem ou o amo, Jesus Cristo está presente. É pela Sua presença que o amor que prometo a alguém pode ser verdadeiro e total. O amor de Jesus não é particularismo. É universal. É tão absoluto em profundidade, como em extensão. Até a consumação dos séculos. Até aos confins da terra. Todos os homens e toda a humanidade ao mesmo tempo. E mais ainda testemunho do Evangelho! Era isso que nos faltava em nossas secretarias paroquiais e que infelizmente ainda faltam em algumas!
Em linhas gerais, precisamos de princípios técnicos e básicos do Secretariado, demonstrando as atividades principais como arquivamento, agendamento, organização de reuniões e distribuições das mesmas, o modo e eficácia de atendimentos, inclusive no telefone. Organização e métodos diversos a serem aprimorados a cada dia, dando destaque a participação do próprio planejamento pastoral. É certo que a preocupação com a dimensão participativa marca o processo de planejamento desde as suas origens. Torna-se uma questão cadente e até mesmo polêmica. Transformou-se numa forma de dinamização participativa, em todos os níveis e instâncias do planejamento pastoral. Chega-se mesmo a falar não de planejamento participativo, e sim de planejamento entendido como participação crescente do Povo de Deus nas decisões da sua caminhada pastoral. As dificuldades durante a caminhada se fizeram sentir. Entre os impasses mais frequentes constam os referentes à participação, questão que é certamente desafiadora e permanece aberta a ulteriores avanços.
Vemos que na secretaria temos o encontro não só da parte econômica, mas pastoral e de movimentos. Sejam as pastorais, pois, preparadas e preparando pequenos grupos para serem agentes transformadores da sociedade. Como sejam os movimentos que são capazes de reunir grande número de pessoas para mudarem a imagem negativa da Igreja. No entanto, o local que se dará esta unidade de convergência e de irradiação.
Tendo este quadro realístico não só numa Diocese e nem só numa paróquia, criamos a ideia de termos a Secretaria como local propício e fundamental do acolhimento, que não seria apenas profissional, mas também ministerial, um ministério laical, onde acolheríamos a todos sem distinção e sem preferências.
Quando assumimos a Paróquia São Francisco de Paula em Torreões – Arquidiocese de Juiz de Fora/MG, implementamos esta ideia aos poucos, pois a paróquia era centenária e trazia certas mazelas e heranças de outros que precisavam ser purificadas e atualizadas a fim de que tivessem verdadeiros frutos. Uma paróquia que não tinha secretaria, mas famílias que a conduziam, foi algo que aos poucos foi trabalhado nas formações de pequenos grupos. Por isso mesmo a paróquia foi dividida em setores para tais cursos, em pequenos grupos de no máximo 50 pessoas, vindas das diversas comunidades. Envolvemos inicialmente 150 pessoas que foram reduzidas a 70 e depois escolhidas por elas e não por mim (na função de Pároco), mas na participação da atualização e atuação dos leigos para secretária e depois um secretário, passando assim quatro, para ficarmos com uma pessoa devidamente preparada e entendida da realidade paroquial, caso viesse um novo pároco.
Ao dividir a Paróquia em dois setores, preparamos e treinamos duas secretárias para ambos os setores, de forma que o atendimento se tornava mais pessoal e mais humano, pois se dividiu o acúmulo de trabalhos que se tornava cada vez maior. Entre estes trabalhos de treinamento se destaca a ficha cadastral que tornava maior o conhecimento, não só para o pároco, como para as próprias secretárias. Esta ficha constava os dados do coordenador de cada comunidade, incluindo o que ele possuía de livros ou de conhecimentos sobre a Igreja ou a Paróquia. Questionávamos sua formação humano-afetiva, espiritual, comunitária, intelectual, pastoral e técnico-administrativo, dados que possibilitariam o deslocamento de mudança funcional e ministerial, para melhor servir a nossa paróquia. Ainda nesta ficha propiciamos a oportunidade de quem respondia de fazer perguntas em que ficariam em confiabilidade e não seriam partilhadas, mas que sanariam as dúvidas de quem as fazia. Algo que valorizamos é a questão histórica da paróquia, onde colocamos as pessoas interagindo com a história e se tornando também protagonistas da mesma, seja a nossa paróquia no templo físico, como nas festas passadas, e, desta forma podemos criar sempre uma linha do tempo em que valorizamos o crescimento da paróquia e da comunidade em geral. “No mais, tudo é vida e entrega em Cristo Jesus”.
A dificuldade inicial era o preparo anterior dos candidatos a serem secretários que não tinham nenhum tipo de experiência e que ao mesmo tempo tornou-se uma vantagem. Outra era o treinamento das mesmas pessoas, pois uns tinham maior facilidade do que outros e visões de conjunto do que outros. Algo que levou a refletirmos que teríamos que ter um plano de treinamento, antes mesmo de atuar e contratar o profissional que ao mesmo tempo teria que ser um fiel cristão para entender que estaria dentro da história de uma Igreja, onde ele também participaria como membro vivo e daria vida ativa a todos.
Um dos outros pontos que podemos destacar como negativo é o fato do sobrecarregar dos trabalhos e da possibilidade de dar uma resposta satisfatória a todos os problemas apresentados de modo eficaz e eficiente. O sobrecarregar de uma só pessoa, torna inviável a agilização das atividades e do andamento dos trabalhos e do próprio acolhimento sincero e verdadeiro de todos. Afinal, vem o cansaço e deste a visão destruidora e não acolhedora.
Outra realidade que enfrentamos em Torreões foi o fato da Paróquia ter que depender financeiramente das terras (Aforamento) de toda uma região quase 185 mil hectares que pertencem a Igreja local (Paróquia São Francisco de Paula) e tudo depende desta Igreja para que seja realizado, tornando-a como que uma subprefeitura, porém sem a supervisão da mesma. O mesmo se pode dizer do Cemitério Paroquial que se adaptou a todas as legislações ambientais e treinamentos exigidos, para que fossem além de observados, fossem utilizados pelos parentes e amigos dos entes ali falecidos, seja com a capela e a capela para velório e demais partições necessárias (Quartos de descanso, pequena cantina e banheiros).
Estas duas realidades eram fontes de renda para as demais atividades pastorais, pois sem elas o dízimo não sustentaria a Paróquia e suas atividades mais simples possíveis, haja vista que a maioria dos moradores dali seria pouca, sendo a maior parte vindo apenas aos finais de semana e outras festividades promovidas, sejam pela Igreja como pela produção local (Torneio Leiteiro), tornando um distrito dormitório. Viu-se a urgência de uma atualização nas secretárias que ali estavam auxiliando a paróquia, não só no campo pastoral, mas de modo especial o civil jurídico, pois se tratava de questões tipicamente civilistas. Aqui nos encontramos de frente a um treinamento com funcionários acolhedores e ao pároco que tem isso como função e responsabilidade própria. Afinal o risco aqui estava de lesões, danos ou prejuízos a outrem, não só a fieis, mas a demais cidadãos.
Por fim, vimos mesmo que o secretariado deve ser mais preparado frente à realidade local e paroquial, mas também ser visto como algo vocacional e não meramente profissional. Ter o profissional para se suster e ser o apoio da vida familiar de quem é secretário, sem dúvida alguma! Contudo, deve ser visto, também, de uma maneira de servir com certa competência e eficiência, tendo certa espiritualidade. O projeto foi avante e uma paróquia que estava como que adormecida por trinta anos voltou à vida por meio destas duas realidades que tocaram outras, num verdadeiro trabalho de conjunto que foi se construindo aos poucos. Frutos que outros estão hoje colhendo! O que falta-nos também é o equilíbrio para atender tantos que estão sem equilíbrio, sem vida. Somos limitados por sermos humanos, mas somos ricos justamente por isso, no tocar, no olhar quem vem até nós, e em dar a devida atenção a quem vem, muitas vezes só naquele único contato que terá com a Igreja e que tem que ser bem valorizado e estruturado, caso contrário, não teremos nem a pessoa e nem quem vem por detrás dela, familiares e amigos.

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