Palavra de "Comunhão e Participação "
“Manda, Senhor, sobre nós o Teu Espírito, para que purifique, com a penitência, os nossos corações e nos transforme em sacrifício do seu agrado. Agradecemos a Tua presença em nosso meio, sustentando-nos nos trabalhos de evangelização e de santificação em favor de todos os homens e mulheres, em especial, da família cristã e das vocações!”.
Muitas são as definições de Igreja. Não causa estranheza
tal fato, uma vez que o mistério de seu Ser abriga uma gama inesgotável de
ricos e múltiplos aspectos. Entretanto, parece-nos fundamental uma definição
que está essencialmente ligada a sua instituição: Igreja Sacramento de Cristo
no mundo.
Precisamos olhar a Igreja como Sacramento do Filho de Deus
no mundo, como desvelo no tempo de “Deus feito homem”, como reflexo da vida
trinitária em nossas vidas. Viver este Sacramento de Jesus constitui, hoje,
como ontem, um grande desafio para nós. Ele requer que amemos a Igreja com o
mesmo amor com o qual amamos a Cristo. Exige ainda que nos tornemos membros
participantes desta comunidade-sacramento, assumindo sua caminhada no mundo e
no tempo, com as alegrias dos ramos, da aclamação e com as dores da cruz da
Paixão.
A vida da Igreja é um Dom do Espírito Santo que depende de
nossa disponibilidade para aceitá-lo. Primeiramente, percebemos esta dimensão
sacramental da comunidade dos fiéis, depois, colocamo-nos disponíveis aos
desígnios do Senhor, sem impor condições ou reservas. Isto não significa uma
atitude de passividade frente à Igreja. Ao contrário, Deus nos quer
participantes de sua comunidade para que possamos fazê-la crescer naquilo que
nos compete por direito e missão.
Esta atuação quando ativa nos coloca, por vezes, em
conflito podendo nos levar a dúvidas e incertezas face a pluralidade de
opiniões, esquemas e estilos de trabalho pastoral. Devemos ter um único
parâmetro norteador de nossos caminhos que é o próprio Cristo. Afinal, não
pertencemos a Igreja de “fulano ou beltrano”, mas sim a Igreja de Cristo Jesus (1Cor
1, 10-16).
Também é oportuno lembrar-se das atitudes de Maria ao longo
de sua vida. Maria, Pastora da Igreja, deve servir de exemplo privilegiado de
vida e, sobretudo, de disponibilidade aos desígnios de Deus. A Virgem de
Nazaré, mais do que ninguém, acolheu em seu coração o projeto de vida do
Cristo.
Ser Igreja de Cristo, portanto, é viver este Sacramento no
mundo encarnando-se no tempo, colocando-se disponível à ação do Espírito Santo,
construindo assim a comunidade de fé consoante o estilo de Maria, Mãe e Pastora!
“Mas, nós Senhor, confessamos o nosso pecado!”.
Tem sido objeto de reflexão ao longo de todas as épocas do
cristianismo, a finalidade da Igreja. Entendemos aqui Igreja, não somente no
seu aspecto institucional, mas também em sua dimensão pastoral-comunitária.
Podemos afirmar, sem margem de erro ou dúvida, que o próprio Cristo está na
essência desta finalidade. Desta perspectiva, Cristo-finalidade-da-Igreja,
podemos derivar todo o resto.
Esta derivação passa necessariamente pela experiência rica
da primeira comunidade. O livro dos Atos dos Apóstolos nos dá a cada página uma
imagem da finalidade da Igreja. Esta imagem se constrói no drama, na crise, nas
fadigas, nos encontros e desencontros daquele primeiro grupo de fiéis que se
reuniam para colocar em prática o projeto de vida dado por Jesus. Não se trata
de teorias filosóficas ou discursos acadêmicos. Ali está narrado a prática de
vida dos primeiros cristãos, suas lutas, seus desentendimentos, a forma de ser
e de agir da Igreja, sua organização e sua tradição.
A esta experiência primeira, acrescente-se a experiência
histórica da Igreja. Seus erros e acertos do passado. Sobretudo de seu passado
recente, que encontra, no evento do Concílio do Vaticano II, seu ponto máximo
de crescimento. A força renovadora do Espírito Santo vem mais uma vez servir de
força-motriz levando a um novo diálogo Igreja-Mundo.
Nesta derivação de Cristo-finalidade-da-Igreja encarnada no
mundo, encontramos ainda a sua expressão particular no que diz respeito à
América Latina e Caribe. Neste aspecto podemos observar novamente a força do
Espírito do Senhor nos eventos de Medelín, Puebla Santo Domingos e Aparecida.
Não se trata de simples livros pedagógicos de doutrinação. Nas conclusões
destes dois encontros deparamos-nos com a síntese de vida de uma Igreja, que
disposta a assumir sua finalidade, carrega sua cruz subindo o caminho do
Gólgota.
A conjugação de todas estas derivações da perspectiva
Cristo-Finalidade-de-Igreja leva-nos ao seguinte questionamento: Estaremos
ajudando ou impedindo a consecução desta finalidade? A oração introdutória
carrega em si parte da resposta.
“Ide, pois, e fazei discípulos
todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e
ensinai-os a observar tudo aquilo que vos rescrevi.” (Mt 28, 19-20)
Para reflexão espiritual e pastoral, este momento vem a ser
um instrumento de grande ajuda para a consecução do amadurecimento da fé. Por
outro lado, é preciso difundir a mística, não apenas entre alguns, mas também
para todos os fiéis cristãos. Este papel de difusão da espiritualidade depende,
em parte, da disposição de cada leitor em aprofundar o conteúdo destas linhas e
divulgá-las a outras pessoas.
O método a ser adotado é muito simples e bastante
conhecido. Sugerimos inicialmente uma leitura individual do texto. Se o sentido
de alguma palavra ou frase não ficou entendido é preciso esclarecer devidamente,
a fim de não prejudicar e interpretação geral. Uma vez entendido o significado
do texto, segue-se uma análise individual de profundo questionamento íntimo.
Depois seria bastante enriquecedor compartilhar esta reflexão pessoal em
pequenos grupos. Estes grupos podem ser formados de forma natural e espontânea:
entre vizinhos, na própria família, na escola, no local de trabalho, na
comunidade paroquial, entre amigos, enfim da maneira mais adequada a cada caso
específico.
O tema proposto é Serviço Apostólico. Uma temática bastante
propícia para os dias difíceis de hoje. Eis algumas questões que servirão como
ponto de partida para nossa reflexão comunitária.
- O que significa Serviço
Apostólico?
- Em nossa sociedade
competitiva e em constante crise existe espaço para o Serviço Apostólico?
- O que posso fazer de
concreto, para assumir o Serviço Apostólico que Jesus me confiou?
Não esperamos respostas bonitas e acadêmicas. Tem que haver sinceridade, abertura de coração, disponibilidade para servir a Cristo através do próximo. Que durante estas reflexões possamos continuar nossa caminhada de amadurecimento na construção de um Movimento autenticamente apostólico.
EVANGELIZAÇÃO:CONTEÚDO E PRÁTICA
“... e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8, 32)
Queremos iluminar todo o nosso zelo pastoral com a luz da
verdade que nos torna livres. Não é uma verdade que possuímos com alguma coisa nossa.
Ela vem de Deus. Diante do seu esplendor sentimos nossa pobreza.
Propomos, então, para nossa caminhada deste ano anunciar e
refletir as verdades centrais da evangelização: Jesus Cristo, A Igreja de
Cristo e o Homem.
Jesus Cristo é nossa esperança. Está no meio de nós, como
enviado do Pai, animando com seu Espírito a Igreja e oferecendo sua palavra e
sua vida ao homem de hoje, para conduzi-lo à libertação integral.
A Igreja é o Mistério da Comunhão, povo de Deus a serviço
dos homens, continuando através dos tempos sendo evangelizada e levando a
Boa-Nova a todos.
O ser humano por sua dignidade cristã merece compromisso em
favor de sua libertação e total realização em Cristo Jesus. Só em Cristo ele
encontra realização plena.
Estes três pontos básicos serão de nossa reflexão e ação. A verdade sobre Jesus Cristo. Encontra sua operacionalidade na verdade sobre Sua Igreja enquanto comprometida em favor da verdade do ser humano. Nossa vida apostólica se fundamenta nesta verdade libertadora. Nossa ação pastoral deve ser norteada segundo estes parâmetros: Jesus Cristo, Sua Igreja e o ser humano.
APROMESSA DE DEUS NA ANTIGA ALIANÇA
“Eis que estabeleço minha aliança convosco e com os vossos descendentes depois de vós....” (Gn 9, 9)
Profundamente religiosos, ainda antes de ser evangelizada,
a grande maioria de nosso povo crê em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e
verdadeiro homem. Mas também conscientes de nossa insuficiente proclamação da
fé e das limitações do nosso povo na fé. Há, no entanto, uma aproximação rumo
ao evangelho e uma busca da face sempre nova de Cristo, como resposta à
legítima aspiração deste povo a uma libertação integral.
Devemos estar atentos ao nosso dever de anunciar
claramente, sem deixar dúvidas ou equívocos, o Mistério da Encarnação: tanto a
divindade de Jesus Cristo, tal como nos ensina a fé da Igreja, quanta a
realidade e a força de sua dimensão humana e histórica. Em ambos os casos
devemos retomar a promessa de Deus feita na Antiga Aliança.
Os caminhos de Jesus são preparados desde o início dos
tempos. A história da Salvação testemunha esta preparação feita em constante
diálogo de Deus com os homens.
Este diálogo tem início com Adão no evento da criação do
homem feito a imagem e semelhança de Deus. Prossegue através dos descendentes
de Adão e encontra em Noé a expressão da formalização da antiga Aliança.
A continuidade da história da salvação destaca Abraão, o
Patriarca, e o sacrifício de seu filho como primeira referência do sacrifício
de Jesus. A aliança é, novamente, reforçada por Moisés, no Monte Sinai, no
evento da libertação do povo da escravidão do Egito. Moisés é o legislador que
vem dar rumo ao povo de Israel. A história prossegue, sobretudo, na figura dos
grandes líderes, como Davi e Salomão. Novamente, o exílio, na Babilônia, traz a
dor da escravidão. Mas Deus não abandonou seu Povo e mantém sua parte na
Aliança.
A história continua com especial relevo no testemunho dos profetas. É a antiga aliança renovada a cada momento, até o surgimento de João Batista, aquele que veio para preparar o caminho do Messias.
A antiga Aliança se mantém até que Deus envia ao Mundo o
seu Filho Jesus Cristo, Senhor nosso, verdadeiro Deus, “nascido do Pai antes de
todos os séculos”, e verdadeiro homem, nascido da Virgem Maria por “obra do
Espírito Santo”. A Nova e eterna Aliança se aproxima, com aproximação do sacrifício
de Jesus.
“Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim”. (1Cor 11, 25b)
Jesus de Nazaré nasceu e viveu pobre no meio de seu povo de
Israel compadecendo-se das multidões e fazendo o bem a todos. (Lc 6,34; 4,37;
At 10, 38)
Sob o peso do pecado e da dor, o seu povo esperava a
libertação. Em meio a esse povo Jesus anuncia: “Cumpriram-se os tempos; o Reino
de Deus está perto; convertei-vos e crede no Evangelho.” (Mc 1, 15). Ungido
pelo Espírito Santo para anunciar o Evangelho aos pobres, para proclamar a
liberdade dos escravos, a recuperação da vista aos cegos e a libertação dos
oprimidos. (Lc 4,18)
A estas palavras Jesus uniu fatos, sinais maravilhosos, que
nos mostram que o Reino anunciado já está presente. Que a Nova presença de Deus
na história é eficaz e transformadora. Está para nascer um novo mundo.
As forças do mal, contudo, rejeitam este serviço de amor:
são a incredulidade do povo e até dos próprios parentes de Jesus, as
autoridades políticos e religiosos de sua época e a incompreensão de seus
próprios discípulos. Aí aparece em Jesus o rosto desfigurado do “SERVO DE JAVÉ”
do que fala o profeta Isaias (Is 53).
Com amor e obediência total ao Pai, expressão humana de seu
caráter eterno de filho, empreende o seu caminho de doação abnegada, rejeitando
o poder político e todo o recurso à Violência. Agrupa em torno de si homens de
diversas categorias sociais do seu tempo. E, embora confusos e às vezes
infiéis, eles sofrem o impacto do amor e do poder que ele irradia. São
constituídos como alicerce de sua Igreja. Atraídos pelo Pai, iniciam o caminho
do seguimento de Jesus. Caminho de doação e sacrifício. Uma conversão nunca
terminada, mas passa pelas realizações históricas que não se identifica com
elas.
Cumprindo o mandato recebido do Pai, Jesus entregou-se
livremente à morte da Cruz, meta do caminho de sua existência. O portador da
liberdade e da alegria do Reino de Deus, quis ser vítima decisiva da injustiça
e do mal deste mundo. Toda a dor da criação é assumida pelo Crucificado, que
oferece a sua vida em sacrifício por todos: Sumo Sacerdote, que pode
compartilhar nossas fraquezas; Vítima Pascal, que nos redime de nossos pecados;
Filho obediente, que encarna perante a justiça salvadora de seu Pai o clamor
que pede libertação e redenção para todos os homens.
Por isso o Pai ressuscita o seu Filho dentre os mortos. E o
exalta gloriosamente à sua direita. O estabelece como Cabeça do seu Corpo, que
é a Igreja. Senhor do mundo e da história. A ressurreição de Jesus é sinal e
garantia da ressurreição à que todos somos chamados e da transformação final do
universo. Por Ele e Nele quis o Pai fazer do que já havia criado uma nova
criação.
Jesus Cristo glorificado, não se afastou de nós. Ele vive
no meio de sua Igreja, principalmente na Eucaristia e na proclamação de sua
Palavra.
Ele está presente no meio dos que reúnem em seu nome. (Mt 18, 20) e na pessoa de seus pastores enviados. (Mt 10, 40). Com sua ternura especial ele quis identificar-se com os mais fracos e pobres. (Mt 25, 40).
ESPÍRITODA VERDADE, DA VIDA, DO AMOR E DA LIBERDADE
“Quando
vier o Espírito da Verdade, ele conduzirá à verdade plena, pois não falará de
si mesmo, mas dirá tudo que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras.”
(Jo 16, 13)
O Espírito Santo é chamado por Jesus “espírito da verdade” e encarregado de levar-nos à verdade plena. (Jo 16, 13); dá testemunho de que somos filhos de Deus e que Jesus é sempre o mesmo, ontem, hoje e por todos os séculos.
Por isso, o Espírito Santo é o principal evangelizador e
quem deve animar todos os evangelizadores; ele os assiste para que levem
a verdade total sem erros e sem limitações.
Este Espírito Santo é “DOADOR DA VIDA”. É a água viva que
jorra da fonte, que é o Cristo, o qual ressuscita aqueles que morrem pelo pecado,
o Cristo que nos faz odiar tudo o que seja pecado e erro, nesta hora presente
de tanta corrupção e desorientação.
É o Espírito de amor e liberdade. Mandando o seu
Espírito, o Espírito de seu Filho, o Pai “derrama seu amor em nossos corações”.
E quem é livre, segundo o Evangelho, só se compromete a realizar ações dignas
do seu Pai, que é Deus, e dos seus irmãos, os homens.
Jesus Cristo derrama o seu Espírito sobre todos sem acepção
de pessoas. Quem excluir alguém na Evangelização, não possui o Espírito de
Cristo. A ação apostólica tem que abranger todos os seres humanos, pois todos
são chamados a tornarem-se filhos de Deus.
O Espírito Santo unifica na comunhão e nos ministérios, provê e governa a sua Igreja com dons hierárquicos e carismáticos, em todos os tempos vivificando as instituições eclesiásticas, das quais ele é a alma. Tudo isso, as instituições e os carismas são instrumentos da graça e do espírito.







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