Documento da Congregação para a Educação Católica
ORIENTAÇÕES PARA O ESTUDO E O ENSINO DA
DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA NA FORMAÇÃO SACERDOTAL
Neste Documento da Congregação para a educação Católica vemos uma série de orientações para o estudo e o ensino verdadeiro da DSI (= Doutrina Social da Igreja) na formação sacerdotal. Tal documento nos fornece na sua terceira parte Princípios e Valores Permanentes. Por isso, como é oportuno lembrar, de modo especial, de três: a pessoa humana, o bem comum e a destinação Universal dos bens.
O documento nos apresenta a pessoa humana dizendo-nos:
“A dignidade da pessoa funda-se no fato de que ela foi criada à imagem e semelhança de Deus e elevada a um fim sobrenatural que transcende a vida terrena. (...) primeiro princípio e, pode dizer-se, o coração e a alma do ensino social da Igreja. (...) O homem-pessoa é o sujeito e o centro da sociedade, a qual as estruturas, organizações e funções tem como finalidades a criação e adaptação contínua de condições econômicas, culturais que permitam ao maior número possível de pessoas o desenvolvimento das suas capacidades e a satisfação das suas legítimas exigências de perfeição e de felicidade”.
Segue a esta o dever da Igreja de defender a dignidade da pessoa contra todo tipo de erro ou de condução ao mesmo (ideológico e médico). Temos a apresentação dos direitos humanos e a contribuição do Magistério e no nº 34 vemos a relação pessoa-sociedade que diz o seguinte:
“.. ser social por sua natureza ... sociabilidade humana, fundamento de todas formas de sociedade e das exigências éticas contidas. O homem não se basta a si mesmo para conseguir o seu pleno desenvolvimento, mas tem necessidade dos outros e da sociedade”.
E no nº 35 e 36 :
"A sociedade humana é... objeto social da Igreja... e esta insiste sobre a "natureza intrinsecamente social" dos seres humanos. Social diferente de coletivo, há uma convivência crescente tanto de âmbito nacional como internacional. (...) Da dignidade da pessoa humana, dos seus direitos e da sua sociabilidade temos os princípios permanentes de reflexão do Magistério, são de mencionar aqueles que se referem ao bem comum, à solidariedade, à subsidariedade, à participação e à concepção orgânica da vida social".
Aqui destacamos o Bem comum:
“conjunto daquelas condições sociais que consentem e favorecem nos seres humanos o desenvolvimento integral da sua pessoa... a realização do bem comum pode considerar-se a própria razão de ser dos poderes públicos, os quais são obrigados a realizá-lo para vantagem de todos os cidadãos e de todo homem - considerado na sua dimensão terrena-temporal e transcendente -, respeitando uma justa hierarquia de valores e os postulados das circunstâncias históricas...”.
Outro princípio a ser destacado é a destinação universal dos bens:
“... princípio típico da Doutrina Social da Igreja... Deus destinou a terra e tudo o que ela contém para o uso de todos os homens e povos, e portanto os bens criados devem ser participados por todos segundo um justo critério, tendo como guia a justiça e companheira a caridade” (Conc. Vat. II, const. past. Gaudim et Spes, 69.).
Em seguida a este citado texto no presente documento mencionado vemos donde origina a propriedade privada que falaremos bem rapidamente no decorrer do trabalho, contudo vale salientar o final da encíclica Laborem Exercens, “... o direito da propriedade privada como subordinado ao direito do uso comum, ao destino universal dos bens”.
Como complemento o documento apresenta os valores fundamentais, a saber:
“... necessário referir-se aos valores fundamentais inerentes à dignidade da pessoa humana para realizar as reformas substanciais das estruturas econômicas, políticas, culturais e tecnológicas e as mudanças necessárias nas instituições. (...) importância vital destes valores explica o fato de a Igreja os ter sempre proposto com tanta insistência como verdadeiros fundamentos de uma nova sociedade mais digna do homem. (...) é mister discernimento no cristão das opções a fazer (...) modo prática a autêntica "sabedoria" que a Igreja requer no empenhamento social dos cristãos e de todos os homens de boa vontade. (...) a Igreja é chamada a intensificar o processo de educação com a finalidade de fazer compreender não só aos indivíduos, mas também à opinião pública, ao menos nos países onde a sua presença é admitida e a sua ação permitida, a necessidade vital de defender e promover os valores fundamentais da pessoa humana, sem os quais não se poderá ter um verdadeiro desenvolvimento humano e integral de cada uma das sociedades”.
Já nos fala o nº 55 do mesmo que a Igreja
“… empenha-se para a realização da promoção humana... Dado o primado do homem sobre as coisas, um primeiro critério ou norma não só de juízo, mas também de ação é a dignidade da pessoa humana, que comporta o respeito e a promoção de todos os direitos pessoais inerentes à sua natureza.”.

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