2. Família: Igreja Doméstica

 


FAMÍLIA: IGREJA DOMÉSTICA
“ Eu não rogo somente por eles, mas também por aqueles que hão de crer em mim por meio da sua palavra”. (Jo 17,20)
 
A Família deve tornar-se aquilo que é: Família! Parece óbvia tal afirmação, porém, a turbulência de nossos dias nos obriga a insistir na redundância de conceituar o óbvio e esclarecer aquilo que naturalmente já é bem claro. Muitos são os teóricos sobre este assunto, de tal forma que sua essência se perde entre “chavões literários” e “figuras de retórica” que nada dizem, ou por outra, confundem ainda mais. Devemos, através das fontes genuínas e de referências idôneas, chegar a uma síntese clara e única sobre a Família.
Para realizarmos este intento, necessitamos de critérios teológicos e morais de análise para descobrirmos linhas pastorais que conduzam a uma espiritualidade familiar, sobretudo sobre o aspecto conjugal, que seja expressão de vida e esperança. Sem este ponto de partida, dificilmente iremos assumir a Família no seu conteúdo específico de vocação e missão divina e, consequentemente, sob a forma de uma convivência amadurecida no Amor.
Dentro deste quadro amplo vale destacar a importância da Família como Igreja Doméstica. O Santo Papa São João Paulo II, certa vez afirmou, ao visitar pastoralmente uma paróquia, que seu primeiro pensamento objetivava às Famílias que viviam na referida comunidade paroquial, que constituíam parte da Igreja de Roma.
Vemos aí toda a belíssima estrutura da Igreja de Cristo. No sentido mais amplo, tornamos a Igreja Universal, Igreja de Roma, que se legitimiza na sucessão direta de Pedro. Num sentido mais específico, encontramos a Igreja Particular, Igreja-Diocese (funcionalmente organizada em Vicariatos e paróquias), que possui seu vínculo no Bispo, enquanto este refletir a fidelidade ao Papa.
Finalmente, temos a Igreja Doméstica, Igreja-Família, comunidade de fé onde Cristo habita independentemente de qualquer situação humana (social, econômica, política, etc.).
O relacionamento entre estes diversos âmbitos da Igreja Católica encontra seu fundamento e fonte na celebração dos Sacramentos. Em cada um dos Sacramentos de fé, a Igreja-Mãe, nitidamente unida a Cristo no Espírito Santo, manifesta e vive de forma privilegiada a fecundidade da Graça. A fidelidade de cada parte (famílias, padres, bispos e Papa), entre si e principalmente ao Cristo, será característica principal da Identidade como Igreja.
Desta forma a Família, que é inserida na Igreja pelo Espírito Santo, através do Sacramento do matrimônio, ganha uma imagem que a constitui em célula viva e vital da própria Igreja.


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